sábado, 21 de abril de 2012

4ª Mensagem de Trigueirinho - A Obediência

Trigueirinho
Trigueirinho, embora atualmente recolhido e não mais oferecendo suas educativas palestras (ou "partilhas", como se fala na Fazenda Figueira), continua a nos brindar, aqui e ali, com breves mensagens para reflexão. Essas mensagens são gravadas e distribuídas para divulgação.
A quarta e última destas reflexões, que acabo de receber, nos fala sobre a obediência. É um tema profundo, um tema de importância fundamental a todo buscador espiritual. Não podemos esquecer que a humanidade está neste nível de decadência de hoje principalmente por desobediência às leis cósmicas sagradas. Somos rebeldes. Queremos discordar, fazer tudo à nossa maneira. Questionamos e contestamos tudo. E ainda achamos que é este o comportamento justo e certo. Não ensinamos mais às nossas crianças o valor da obediência aos pais, aos mestres, aos mais velhos. Achamos que isto é ser moderno. 
Sathya Sai Baba
Depois de várias viagens à Índia e consequente aproximação do pensamento oriental, principalmente através dos ensinamentos de Sathya Sai Baba, percebi o quanto a mentalidade ocidental é arrogante. É difícil (diria que até impossível), para algumas pessoas, assimilar o significado de ter um mestre, um guru, um instrutor espiritual. Render-se ao mestre, obedecer ao comando da Hierarquia Espiritual não significa rebaixar-se ou transformar-se num capacho. Por mais paradoxal que possa parecer, render-se é o primeiro passo no caminho da própria maestria. Ser mestre de si mesmo é o nosso destino, infalível. No entanto, ninguém será mestre de coisa alguma se não souber sair daquele estágio onde muitos patinam e rodopiam, sem sair do lugar: o estágio da rebeldia.
Beba, absorva esta mensagem. Ela nos fala de uma chave espiritual. Uma chave-mestra: a obediência. 

QUARTA MENSAGEM DE TRIGUEIRINHO – GRAVADA EM 16/04/2012

Tivemos entre nós, nestes últimos dias, a abençoada presença da Divina Mãe em Aurora, cumprindo as aparições programadas para 12 e 13 deste abril de 2012.
É notório para todos como ela tem aprofundado a irradiação de paz que realiza a cada aparição. E frente a tantas dádivas, fica-nos clara a necessidade de nos aperfeiçoamos no exercício da obediência. Uma obediência que nasce e se confirma no Amor e pelo Amor. Será portanto a esse tema – a obediência – que dedicaremos esta quarta mensagem do dia 16 de abril de 2012.
Obedecer significa observar leis, segui-las, cumpri-las. Na conhecida instrução de Cristo: “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, temos um exemplo de obediência a diferentes níveis de leis: a lei de César, do mundo, e a lei de Deus, que rege o universo.
Para nossa alma, a obediência surge da união com as leis universais. Nasce do reconhecimento da unidade que existe em toda a vida, portanto que surge da descoberta de uma Vontade Única, uma Vontade Maior.
Ao reconhecermos dentro de nós a presença e ação dessa Vida Única, dessa Vontade Maior, essa Vontade começará a se mostrar também externamente e até a atuar por intermédio de alguma criatura ou de alguma situação. Assim, seja por lei ou de uma percepção interna nossa, seja por intermédio de um fato externo, poderá efetivamente nos orientar e guiar. Para isso, precisamos ter em nós já trabalhada a decisão de seguir essa vontade. Isto é obediência. Tal é o caminho para irmos além do ego humano, para transcendermos nossa personalidade, o pequeno eu. E se sinceramente persistimos na busca da Vontade Maior, obedecer a ela passa a ser espontâneo, algo que vivemos sem dificuldade. E quando a obediência começa a emergir em nós, surge também a persistência, que é uma força transformadora que nasce do poder dessa vontade.
Ao vivermos a obediência interna, assistimos intensificar-se a aspiração a leis evolutivas superiores, além daquelas leis da evolução natural e material que normalmente vivemos. E com essa aspiração, começa também a surgir em nós um amor profundo por toda a Criação.
São conhecidos alguns seres que se tornaram referência de perfeita obediência. E suas vidas sobre a Terra demonstraram isto. Uma biografia como a de Pio de Pietrelcina, por exemplo, revela-nos quantos graus de obediência se podem encontrar dentro de nós para serem vividos. E quantos desafios temos de resolver, não só no nível da obediência interna, ao Eu Sublime e ao Universo, mas também no nível da aceitação e da obediência externa que, não raro, tem como agentes situações aparentemente injustas, às vezes incompreensíveis para a mente humana, mas às quais decidimos obedecer.
Nas aparentes injustiças temos grandes provas, verdadeiras oportunidades para transcendermos nossa natural tendência para desobedecer. Quando, há séculos, João da Cruz afirmou que Deus mais quer em nós o menor grau de obediência e entrega do que quantas obras possamos realizar, ele nos instruía que a Lei Única está acima de qualquer obra humana e que a adesão a esse nível espiritual é o ponto de partida para jamais nos equivocarmos em nossos passos.
À medida que vamos amadurecendo nesse processo, a obediência praticada com sincero amor e decisão torna-se alimento imprescindível para nosso ser. É na obediência que descobrimos nossa vida verdadeira, pois obedecendo ao que é transcendente, ainda que desconhecido e misterioso, vamos sendo absorvidos na Consciência Maior. Sabemos que para a mente humana é impossível compreender a Consciência Maior. Mas é possível, sim, comungar dessa consciência quando obedecemos a ela nas coisas mínimas que de tão pequenas, quase sempre nos passam despercebidas ou não damos importância a elas.
Irmãos: sejamos corajosos e voltemo-nos decididamente ao alto. Que nas menores coisas aceitemos obedecer à Unidade. Assim trilharemos o caminho da obediência, que leva ao Propósito Maior.
Portanto, irmãos, deixo-lhes esta breve reflexão. Para finalizá-la, lembremos uma sábia regra: “Em obediência, deixa-te conduzir pelo Divino Ser em teu interior. A ele entrega todos os teus pensamentos, sem esperar nada em troca”. Esta é uma chave simples e clara. 

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